sexta-feira, janeiro 28, 2005

Carente

SERÁ QUE VOU SER SEMPRE ADOLESCENTE?
UM POUCO DOENTE E MUITO CARENTE

SERÁ QUE EU VOU SER SEMPRE INDECENTE?
UM POUCO CARENTE E MUITO DOENTE

QUERO MAIS QUE O GOVERNO CAIA
QUANDO EU TE VEJO PASSAR
E SINTO SEDE SÓ DE OLHAR
TEU CORPO SALGADO DA PRAIA

QUERO MAIS QUE ESSA COISA ExPLODA
QUANDO MEU OLHAR CRUZA O TEU
PERCO O SONO POR NÃO SER EU
QUEM TE EMBALA A NOITE TODA

QUERO MAIS QUE A CIDADE ARDA
QUANDO EU RESPIRO O TEU CHEIRO
E VEJO QUE SOU PRISIONEIRO
E O AMOR É CARRASCO E GUARDA

SERÁ QUE VOU SER SEMPRE ADOLESCENTE?
UM POUCO DOENTE E MUITO CARENTE

SERÁ QUE EU VOU SER SEMPRE INDECENTE?
UM POUCO CARENTE E MUITO DOENTE




Acidente de Trânsito *

Carro parado no sinal
Olhar vagando
Corpo cansado
Vontade de ser normal

Olho a menina do lado
Pra que ser normal?
Abre o sinal
Arranco enfeitiçado

Olhos azuis na cabeça
Corpo animado
Olhar travado
Rezo, pra que não me esqueça

Fecha um outro sinal
Ela sorri
Juro que vi
Eu já não sou mais normal

Idade *

Tenho medo da proximidade
desses olhos que dão calafrio,
tenho medo de algo em tua idade,
de perder o medo do teu cio

Saio de casa encontro quebrado
O vidro esquerdo do meu carro
Seu bilhete no banco molhado
Fala que eu sou um caso raro
E que você vai enlouquecer
de tanto eu lhe negar prazer

Corto minha mão limpando o banco
Toca um CD com tua voz
Raiva, dor, tesão e o seu canto
Preciso correr pra minha pós
Você ainda vai me enlouquecer
de tanto eu lhe negar prazer

Atrasado peço para entrar
A mão cortada me lembra você
Enquanto alguém tenta explicar
Como é violenta a tv
Seus desejos precisam de freios
Minha mão lateja e quer seus seios

Tenho medo da proximidade
desses olhos que dão calafrio,
tenho medo de algo em tua idade,
de perder o medo do teu cio


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