quarta-feira, dezembro 13, 2006

Amor molhado


A roda do caminhão
Devolve a chuva pro céu
E ela vai de novo pro chão
Molhando antes o meu terno
E eu penso que no inferno
Não tem caminhão nem terno


Eu sigo pela calçada
Vou chacoalhando o sapato
E a minha meia encharcada
Embola embaixo dos dedos
E eu penso que os meus medos
Foram dormir mais cedo
Eu vou molhado e sorrindo

Ainda vejo o teu prédio...
Olho o meu ônibus saindo
E diminuo o meu passo
Eu lembro dos teus abraços
E danço na chuva, palhaço

A vida não tem como melhorar,
Mas eu ainda vou encontrar
Um jeito mais fácil de te beijar


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