quarta-feira, dezembro 13, 2006

Trânsito

O trânsito da Paulista não anda
E a minha cabeça não para
Troquei meus sonhos por trabalho
E algumas poucas farras
E nas vezes em que falho
Quero me mudar pra Holanda

O trânsito da Paulista não anda
E o meu relógio nunca para
Quando a esperança acaba
Os sonhos fogem pelo ralo
Enquanto me afogam no nada
Dessa tosse que não sara


O trânsito da Paulista não anda
E o meu futuro nunca para
De virar coisa do passado
Mas o sorriso da menina
Que me pede um trocado
Vale por um litro de morfina


Sigo com menos esperança, um pouco mais de fé
e a certeza de absolutamente nada
de absolutamente nada
de absolutamente nada
nada, nada, nada...


Desejo em Preto e Cor



No início era fácil
No início era o caos
Mas Deus, descuidado, desejou cor...

No início era fácil
No início era o caos
Mas Deus fez luz,
E criou sombra e o preto
Mas Deus, inconseqüente, quis o bem...

No início era fácil
No início era o caos
Mas Deus fez espírito
E criou carne
,
Fez águas,
Criou seca
Mas Deus, irresponsável, q
uis o eterno...

No início era fácil
No início era o caos
Sem cor e sem preto,
Sem erro, sem graça...

Findo o fácil,
Findo o caos,
Feito a morte e o mal,
Feita a dor e a guerra,
Feita a sombra e o preto,
Deus fez o erro – perfeito


Azul Contínuo

Os políticos de terno azul
E colarinho branco
Roubam jovens de calça azul
E as caras pintadas
Enquanto sob o céu sempre azul
E cheio de carbono
Crianças de pele quase azul
De tão pobres ou negras
Começam a ter o olho azul
Que vem com o glaucoma
E guerreiros também de olho azul
E armas poderosas
Põe em ordem o planeta azul
E erguem nuvens cinzas
Enquanto

Os políticos de terno azul
E colarinho branco
Roubam jovens de calça azul
E as caras pintadas...


Amor molhado


A roda do caminhão
Devolve a chuva pro céu
E ela vai de novo pro chão
Molhando antes o meu terno
E eu penso que no inferno
Não tem caminhão nem terno


Eu sigo pela calçada
Vou chacoalhando o sapato
E a minha meia encharcada
Embola embaixo dos dedos
E eu penso que os meus medos
Foram dormir mais cedo
Eu vou molhado e sorrindo

Ainda vejo o teu prédio...
Olho o meu ônibus saindo
E diminuo o meu passo
Eu lembro dos teus abraços
E danço na chuva, palhaço

A vida não tem como melhorar,
Mas eu ainda vou encontrar
Um jeito mais fácil de te beijar


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