sexta-feira, abril 09, 2010
Guerreiro de Fala Mansa
Venho de outro tempo
Venho de outra vida
Venho com o vento
Entre tantas despedidas
Eu não me lamento
A dor é o alimento
Das almas perdidas
Ser feliz é meu invento
É meu cimento
Cada pedra do meu ser
Tirei da estrada
E essa coisa inacabada
Vive de esquecer
Que cada coisa amada
Pode se perder
Mas sigo caminhando
E querendo amar
Que o medo de tentar
Quando vai entrando
Faz pra morte lar
Andarilho e amante
Farsante sempre criança
Guerreiro de fala mansa
e fogo no olhar sereno
Quero a paz de uma ilusão
Prefiro o não, ao talvez
Mas sempre, sempre,
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Trânsito
O trânsito da Paulista não anda
E a minha cabeça não para
Troquei meus sonhos por trabalho
E algumas poucas farras
E nas vezes em que falho
Quero me mudar pra Holanda
E o meu relógio nunca para
Quando a esperança acaba
Os sonhos fogem pelo ralo
Enquanto me afogam no nada
Dessa tosse que não sara
O trânsito da Paulista não anda
E o meu futuro nunca para
De virar coisa do passado
Mas o sorriso da menina
Que me pede um trocado
Vale por um litro de morfina
Sigo com menos esperança, um pouco mais de fé
e a certeza de absolutamente nada
de absolutamente nada
de absolutamente nada
nada, nada, nada...
Desejo em Preto e Cor
No início era fácil
No início era o caos
Mas Deus, descuidado, desejou cor...
No início era fácil
No início era o caos
Mas Deus fez luz,
E criou sombra e o preto
Mas Deus, inconseqüente, quis o bem...
No início era o caos
Mas Deus fez espírito
E criou carne,
Fez águas,
Criou seca
Mas Deus, irresponsável, quis o eterno...
No início era fácil
No início era o caos
Sem cor e sem preto,
Sem erro, sem graça...
Findo o fácil,
Findo o caos,
Feito a morte e o mal,
Feita a dor e a guerra,
Feita a sombra e o preto,
Deus fez o erro – perfeito
Azul Contínuo
Os políticos de terno azul
E colarinho branco
Roubam jovens de calça azul
E as caras pintadas
Enquanto sob o céu sempre azul
E cheio de carbono
Crianças de pele quase azul
De tão pobres ou negras
Começam a ter o olho azul
Que vem com o glaucoma
E guerreiros também de olho azul
E armas poderosas
Põe em ordem o planeta azul
E erguem nuvens cinzas
Enquanto
Os políticos de terno azul
E colarinho branco
Roubam jovens de calça azul
E as caras pintadas...
Amor molhado
A roda do caminhão
Devolve a chuva pro céu
E ela vai de novo pro chão
Molhando antes o meu terno
E eu penso que no inferno
Não tem caminhão nem terno
Eu sigo pela calçada
Vou chacoalhando o sapato
E a minha meia encharcada
Embola embaixo dos dedos
E eu penso que os meus medos
Foram dormir mais cedo
Eu vou molhado e sorrindo
Ainda vejo o teu prédio...
Olho o meu ônibus saindo
E diminuo o meu passo
Eu lembro dos teus abraços
E danço na chuva, palhaço
Mas eu ainda vou encontrar
Um jeito mais fácil de te beijar
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
PATAGÔNIA
e borracha queimada
A cerveja argentina
E o tempo de estrada
Podem ter alterado
Meu cérebro cansado
Mas o horizonte vermelho
No fim do céu azul
Parece ter copiado
A cor dos seus olhos e cabelo
Muitos dias de viagem
O ronco do motor
Talvez crie miragens
Vou pro sul, seja onde for
Rezando pro vento frio
Me curar do teu calor
Mas o horizonte vermelho
No fim do céu azul
Parece ter copiado
A cor dos seus olhos e cabelo
As mãos adormecidas
Não sentem o guidão
Árvores retorcidas
Como meu coração
Eu corro pra esquecer
Eu corro pra reviver
Mas o horizonte vermelho
No fim do céu azul
Parece ter copiado
A cor dos seus olhos e cabelo
sexta-feira, setembro 02, 2005
Sobre Anjos
Maldito complexo, se os anjos existem,
Seriam eunucos alados, reflexos
Gelados, motoboys divinos que insistem
em viver no paralelo das paixões,
voyers de nossos gozos, meros peões?
O Deus que criou nossas taras e amores,
Nossos desejos sempre tão indiscretos,
Que fez as flores com seus sexos em cores,
Faria dos anjos adornos de tetos,
Frios, corretos, sóbrios, aladas idéias?
Logo Ele, que criou as bactérias?
O Céu, meus amigos, está repleto de anjas
E de bares, onde Billie e Elvis dão canja
terça-feira, agosto 23, 2005
Não Sou da Paz
Eu não sou da paz
Não sou bom rapaz
Não gosto de samba
E rezo pra santa
Pra ficar assim
Que o fim da história
É uma história sem fim
Eu não sou da paz
Não olho pra trás
Eu não me repito
A vida é um grito
E a minha risada
É meio vingança
É dança, é espada
Eu não sou da paz
Esporo de antrax
A mente afiada
É minha granada
rNão choro, me engano
Refaço os planos
Não reclamo, causo danos
terça-feira, agosto 16, 2005
RENASCER
PRESO DENTRO DO ARMÁRIO,
ESCUTO SEU MARIDO,
RESPIRO O NECESSÁRIO,
QUERIA TER CORRIDO...
MAS
SE UM DIA EU VOU MORRER,
QUE SEJA POR FUDER,
QUE SEJA NUM ARMÁRIO,
NA VIDA DE CORSÁRIrO,
O RISCO É UM PRAZE,
A PAZ O ADVERSÁRIO
E OUVIR VOCÊ GEMER
É RENASCER
É RENASCER
EGO
O MEU DISCO NÃO VENDE,
E O MEU SHOW NÃO LOTA
A CRÍTICA NÃO ENTENDE,
MINHA ARTE JANOTA
NENHUM LOUCO ME EMPREGA,
NENHUM PARENTE MORRE,
A MINHA SORTE É MAIS CEGA,
A POBRESA É UM PORRE
VOUBOTAR MEU EGO NO PREGO
VOU BOTAR MEU EGO NO PREGO
EU VOU PAGAR AS CONTAS
E VAI SOBRAR UM TROO
E PELAS MINHAS CONTAS,
EU CONTINUO LOUCO,
EU CONTINUO LOUCO...
sexta-feira, agosto 05, 2005
PECADO?
deve rir muito
do povo aflito,
que se crê muito
Que acha que pode
A Deus ofender
Será que um mosquito,
ofende um rochedo?
é muito esquisito,
pensar nosso medo...
Um Deus que eu irrito?
seria arremedo..
Pecado é ferir,
mas não ao Senhor,
pecado é trair
um grande amor
não por trair
mas por causar dor
É se destruir,
é se ofender
pra Deus existir,
V`cê deve viver
se você cair
ele vai morrer
Lembra Ele disse
"Você é meu templo"
embora o povo risse
foi o que ele disse
e faz muito tempo
pra quem lhe ouvisse
Se você morrer
Não sei se pensou,
Quem é que vai crer?
Se você acabou,
O que há de ser
de Quem lhe habitou?
É que esse Deus uno,
existe aos pedaços
e pra cada um
e cada pedaço
é um Deus uno
e não um pedaço
Não é o querer
que é o pecado
mas não ter prazer
com o que está ao lado
é ficar a sofrer
com o não alcançado
Sofrer é pecado
Se não por tesão,
seguir sendo honrado,
Sofrer é o cão!
é quebrar a machado
o corpo que é são